Resenhas

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

[RESENHA] "O BANGALÔ", DE SARAH JIO

Nome: O Bangalô
Autora: Sarah Jio
Editora: Novo Conceito
Onde comprar: Buscapé

Livro enviado como cortesia pela Editora NC
Verão de 1942. Anne tem tudo o que uma garota de sua idade almeja: família e noivo bem-sucedidos.

No entanto, ela não se sente feliz com o rumo que sua vida está tomando. Recém-formada em enfermagem e vivendo em um mundo devastado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, Anne, juntamente com sua melhor amiga, decide se alistar para servir seu país como enfermeira em Bora Bora.

Lá ela se depara com outra realidade, uma vida simples e responsabilidades que não estava acostumada. Mas, também, conhece o verdadeiro amor nos braços de Westry, um soldado sensível e carinhoso.

O esconderijo de amor de Anne e Westry é um bangalô abandonado, e eles vivem os melhores momentos de suas vidas... Até testemunharem um assassinato brutal nos arredores do bangalô que mudará o rumo desta história.

A ilha, de alguma forma, transforma a vida das pessoas, e este livro certamente transformará você.


“[...] devo lhe prevenir: não espere um conto de fadas.
Jennifer sentou-se na cadeira ao meu lado.
- Que bom – disse ela sorrindo – Nunca gostei de contos de fadas
- E há partes sombrias – continuei, questionando minha decisão. Ela balançou a cabeça.
- Mas tem um final feliz?
- Não tenho certeza.”
A trama se inicia em Nova York, quando Anne Calloway, uma mulher com idade já avançada, recebe uma carta enviada por uma desconhecida que investiga um assassinato brutal ocorrido há muitos anos, na ilha de Bora Bora.

Surpreendida, Anne é tomada por uma onda de lembranças boas e ruins relacionadas à sua breve passagem pelo Pacífico Sul, quando ajudou com os esforços de guerra na Corporação de Enfermeiras do Exército, durante a Segunda Guerra Mundial. Dividida entre não revirar um segredo antigo e o seu desejo de justiça pelo crime que presenciou, Anne é encorajada por sua neta a contar a história de sua juventude, memórias que ela guardou somente para si por muitos anos.
“Como poderia voltar àqueles dias? Como poderia reviver tudo? Fechei meus olhos com força, desejando que as lembranças desaparecessem.”
É assim que retornamos para 1942, quando Anne, recém-formada em enfermagem e prestes a ser casar aos vinte e um anos de idade, decide abandonar tudo e partir junto com sua melhor amiga para Bora Bora para servir ao seu país, os Estados Unidos, que luta contra o Japão em meio a impressionante paisagem do local.

Anne se convence de que está indo somente para acompanhar Kitty, mas em seu interior ela sabe que existem outros motivos, como a incerteza da profundidade de seus sentimentos pelo noivo, Gerard. Em casa tudo estava acontecendo rápido demais e agora, estando tão longe de sua família, ela terá um ano para colocar seus pensamentos em ordem. Anne só não esperava que o destino lhe reservasse outros planos.

Westry Green é apenas mais um entre vários soldados, mas certamente está entre a minoria que podem ser chamados de cavalheiros. Atencioso e gentil, ele é um dos poucos com quem Anne permite-se criar uma amizade e é durante uma simples caminhada que eles descobrem um bangalô, uma pequena cabana escondida no meio da mata próxima a praia.

Tomados por espírito aventureiro, Westry e Anne resolvem reformar o bangalô e mantê-lo em segredo, como uma forma de ter seu próprio mundo de paz em meio a um local de guerra. Do passatempo sem segundas intenções surge um romance e Anne não consegue resistir à paixão que sente pelo soldado; o bangalô então se transforma em seu local secreto de encontros, onde o casal passa seus momentos mais felizes juntos, até presenciarem o chocante assassinato de uma pessoa inocente.

Por alguma razão, Westry não deixa que Anne denuncie o crime e a partir daí as coisas começam a ficar estranhas entre eles. O horror que eles presenciaram somado a outros fatores, como a estranha aproximação de Westry e Kitty, faz com que Anne pense que ela e seu amado soldado estão se afastando. Será que ela se enganou em relação aos sentimentos dele? Isso está realmente acontecendo ou será algo da cabeça dela? Uma coisa é certa, há questões que ela não entende e as pessoas não são o que parecem, por isso deve-se tomar cuidado em quem confia, pois todos podem surpreender. A ilha muda as pessoas.
“- É um mundo louco lá fora, Anne. Guerra. Mentiras. Traição. Tristeza. Tudo ao nosso redor. – Ele pegou meu rosto entre as mãos. – Da próxima vez que se preocupar que eu esteja me distanciando, venha aqui. Venha ao bangalô e sentirá o meu amor.”
Além disso, o tempo de Anne e Westry está acabando e logo ela voltará para casa, enquanto ele será mandado para lutar na Europa. A realidade está vindo para eles e Anne terá que escolher entre o noivo bondoso que deixou em casa e o homem por quem se apaixonou. Ela terá coragem de quebrar o coração de Gerard, que poderia lhe dar a vida que toda mulher sonhou? Pode o amor dela e Westry sobreviver à distância e aos horrores da guerra?
“- Essa guerra – continuei chorando – mudou tudo, todos nós.”
Bom, o que dizer sobre esse livro? “O Bangalô” chegou nos últimos minutos do segundo tempo e entrou para a minha lista das melhores leituras de 2015. Que livro maravilhoso! Sou apaixonada por romances ambientados em tempos de guerra, mas a história conseguiu me surpreender por sua qualidade.

“O Bangalô” consegue prender a atenção do leitor e emocionar com sua narrativa cheia de romance, mistério e intrigas. Eu li o livro em duas sentadas, dando uma pausa somente para jantar. A história é intensa e consegue despertar vários sentimentos, que vão desde a expectativa a favor do casal, até a raiva por todas as coisas personagens que conspiram contra eles.

Me apaixonei pela bondade e valentia de Westry, sofri pelas atitudes inocentes e o destino desmerecido de Anne e quis matar Kitty por suas ações egoístas - e não me importa suas revelações no final, eu ainda a mataria. Os personagens secundários conseguem ter algum espaço e também senti tristeza ou alegria por eles, principalmente por Gerard, o noivo que o tempo todo permaneceu compreensível e fiel.
“ - Anne. - A voz dele fraquejou um pouco, e ele parou para recuperar sua força. - Se é disso que precisa. Se há uma chance de ter seu coração por inteiro novamente, então eu esperarei.”
A capa do livro é maravilhosa, assim como a contracapa, que possui uma imagem de Anne e Westry juntos. A diagramação está perfeita e a fonte e o tamanho do texto são ótimos para leitura. Encontrei alguns erros de revisão, bem poucos e nada que tenha me incomodado.

A leitura de “O Bangalô” fluí muito bem. As páginas passaram que eu nem percebi e quando me dei por mim, já estava chorando com o desfecho, que não é exatamente triste, mas que achei injusto e que consequentemente me deixou insatisfeita. Ainda assim, é uma leitura que vale a pena, por isso é um romance que eu super recomendo.
“– Essa guerra – continuei chorando – mudou tudo, todos nós.
– É verdade – concordou papai solenemente, estacionando o carro na garagem de sempre. Tudo era o mesmo, claro, exatamente como era quando eu fui embora. Mas não; eu sabia disso. E eu nunca poderia voltar a ser do jeito que fora antes.”
Clique aqui e baixe um trecho do livro, disponibilizado pela Novo Conceito.


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