Resenhas

quinta-feira, 14 de abril de 2016

[RESENHA] "QUERER E PODER", DE NORA ROBERTS

Nome: Querer e Poder
Autora: Nora Roberts
Editora: HarperCollins Brasil
Onde Comprar: Buscapé
Pandora McVie jamais tivera uma boa relação com seu primo Michael Donahue. Mas ambos tinham algo em comum: uma sincera afeição pelo tio Jolley, um excêntrico milionário de quem se tornaram os únicos herdeiros. Entretanto, havia uma condição para que Pandora e Michael recebessem a fortuna. Deveriam passar seis meses morando no castelo de Jolley e, durante esse tempo, não seria permitido que ficassem afastados um do outro por mais de 48 horas…

Pandora McVie tentava entender como havia chegado àquela situação desagradável porém necessária. Seu amado tio Jolley tinha falecido e como sobrinha era imprescindível que ela comparecesse a leitura do testamento. Apesar de não ser nenhum pouco interessada na quantia de 150 milhões de dólares, Pandora sabia que precisava estar lá, em homenagem ao seu tio e pelos laços sanguíneos. Porém, para ela era extremamente revoltante todos os demais parentes estarem presentes. De todas as pessoas naquela sala, tirando o advogado, apenas ela realmente amava e tinha um tempo de qualidade com tio Jolley. Ela e claro, seu insuportável "primo" Michael Donahue

Os dois se conheciam desde pequenos, e apesar de não serem parentes diretos e não terem nenhum laço consanguíneo, os poucos encontros que tiveram provaram que a antipatia era mútua. Mesmo com toda a hostilidade que os envolvia, eles eram os únicos que tinham uma relação verdadeira com Tio Jolley, os que realmente se preocupavam com ele e que sempre passavam temporadas de férias em sua mansão no interior. E de semelhante modo, eram os únicos que sofriam a morte do tio. 

Michael também não queria estar ali. Ele não precisava e nem estava interessado na herança de Tio Jolley, e comparecera a leitura apenas por respeito e consideração. Revoltado por todos aqueles parentes que esperavam saber o quanto receberiam da fortuna, ele só queria ir embora. Ao ver Pandora, Michael reconheceu que a única pessoa que entenderia sua saudade pelo tio era ela. Com os olhos vermelhos causados pelo choro, Michael percebeu que Pandora não era tão inabalável e megera quanto pensava. Mas ainda assim ela era uma irritante parente que ele agradecia aos céus por não ter de ver todo dia. 
“Michael podia jurar que nenhuma daquelas pessoas estivera na casa nos últimos dez anos. Exceto Pandora, ele admitiu de má vontade. Ela podia ser irritante, mas amava Jolley.
Pandora parecia triste. Michael acreditava que jamais a vira infeliz — furiosa, arrogante, detestável, sim, mas nunca infeliz. Se não a conhecesse bem, ele teria se sentado ao seu lado, oferecido consolo, segurado sua mão. Pandora, provavelmente, o morderia até o osso.”
Os dois aguardavam sem muito interesse a leitura do testamento. Achando graça pela sinceridade de Tio Jolley, ao deixar para cada um dos parentes interesseiros o que eles mereciam, Michael e Pandora se divertem ao lembrar como o senhor era astuto e muito, muito perverso. A revolta na sala era geral, e o caos só aumenta quando o advogado chega no quinhão dos dois. Tio Jolley havia lhes deixado tudo que tinha, incluindo empresas, ações, carros, e sua magnífica mansão com tudo que havia dentro. 

Nenhum dos dois pensara em aceitar tal fortuna, e para maior infelicidade, o advogado continua lendo o testamento, que diz que a condição para que Pandora e Michael herdassem juntos todos os bens era que os dois morassem juntos na mansão, pelo período de seis meses, sem se ausentarem da casa por mais de 48 horas. Caso um ultrapassasse o prazo fixado estaria abrindo mão de seu direito a herança. A incredulidade de todos era evidente, visto que o ódio mútuo entre Pandora e Michael era bem conhecido. Os dois refletem que a convivência acabaria ocasionando a morte de um deles, mas acabam aceitando as condições por saberem que se abrissem mão da fortuna, ela seria dividida entre os demais herdeiros, que não eram merecedores de tal coisa. 

“O sorriso de Michael deixava claro um interesse prazeroso.

— Qual é o preço da luxúria hoje em dia?
— Eu achava que você estaria familiarizado com os preços. — Pandora tateou em busca de um lenço, assoou nele e, então, fechou sua mala com um clique. — A maioria das mulheres com as quais você namora tem uma etiqueta de preço.
Isso o alegrava, e Michael fez questão de demonstrar.
— Eu achei que estivéssemos falando sobre trabalho.
— Meu trabalho é pago pelo tempo, enquanto o seu... O seu é interrompido pelo intervalo comercial. E além do mais...
— Com licença.
Fitzhugh parou na porta da biblioteca. Tudo o que ele queria era se livrar da família McVie e beber algo leve e refrescante.
— Devo presumir que vocês dois concordaram com os termos do testamento?
Seis meses, pensou Pandora. Seria um longo, longo inverno.
Seis meses, pensou Michael. Quando chegasse o mês de abril, ele ficaria com a primeira loura bronzeada.
— Você pode começar a contar os dias a partir do fim de semana — ele disse a Fitzhugh. — Concorda, prima?
Pandora fez cara de séria.
— Concordo.”
Michael e Pandora se mudam para a mansão, e estabelecem regras para que um homicídio não fosse cometido. Porem, as coisas mais estranhas começam a acontecer pela casa. Alguém estava tentando assusta-los e os pregava todo o tipo de peças possíveis, como trancar Pandora no porão, quando ela estava sozinha em casa. De início, os dois decidem não tomar providências sobre os sustos que tomavam, e com o tempo a preocupação só aumentou por não conseguirem descobrir quem estava por trás de tudo. 

Com o tempo e a convivência impossível de ser ignorada, os dois começam a entender mais sobre o outro, e passam a repensar todas as críticas e xingamentos feitos ao longo dos anos. Assim, fica impossível continuar negando a atração que sentiam. Só que depois de tantos anos acreditando que se odiavam, a ideia de sentir desejo era quase absurda, sendo resistida e rejeitada por ambos. 

“Ao virar a cabeça, os lábios de Pandora passaram levemente sobre o rosto dele. Ambos se surpreenderam. Aquele tipo de contato era para amigos — ou amantes.

— Quando entrei aqui, eu não conseguia pensar. Eu...
Pandora deteve-se por um momento, fascinada pelos olhos de Michael. Não era estranho perceber como o mundo de repente ficava pequeno quando se olhava dentro dos olhos de outra pessoa? Por que ela jamais notara isso antes?
— Eu preciso arrumar tudo isso.
— Sim. — Com a ponta dos dedos, Michael acariciou o rosto dela. Pandora era macia. Mais macia do que ele se permitira imaginar. — Nós dois temos que arrumar tudo.
Era tão fácil se aconchegar nos braços dele!
— Não consigo pensar.
— Não?
Seus lábios estavam a apenas um centímetro um do outro — perto demais para ignorar, longe demais para experimentar.
— Vamos parar de pensar por um minuto.
Quando a boca de Michael a tocou, Pandora não se afastou, mas aceitou, experimentou com a mesma curiosidade que percorria o corpo dele. Não foi explosivo ou impactante, foi uma provação para os dois. O tipo de teste que eles sabiam que, mais cedo ou mais tarde, teriam de enfrentar.”
Como em uma queda de braço, os dois disputam quem cairá primeiro e assumirá a visível atração. Ao cederem ao desejo, Michael e Pandora percebem que não se tratava mais de uma briga de gato e rato, e que por mais surreal que parecesse, eles estavam felizes e se acostumando um com o outro. Em contrapartida, as pegadinhas pregadas estavam ultrapassando os limites, ameaçando a vida dos dois. Com medo do que poderia ser feito contra eles e sem uma ideia de quem estava por trás de tudo aquilo, os dois tentam investigar e descobrir o porquê. 

“— Nós dois somos adultos — disse novamente, mas com a raiva substituindo seu nervosismo. — Nós temos desejos naturais de adultos. Nós dormimos juntos e satisfizemos nossas necessidades.

— Que pragmático.
— Eu sou pragmática. — De repente, ela quis muito chorar. — Pragmática demais para alimentar fantasias a respeito de um homem que gosta de mulheres por atacado. Pragmática demais — continuou, mais alto — para me imaginar emocionalmente envolvida com um homem com quem dormi só uma vez. E pragmática demais para romantizar algo que não foi nada além de uma troca normal de desejos.
— Encoste.
— Não.
— Pare o carro no acostamento, Pandora, senão eu farei isso por você.
Ela rangeu os dentes e hesitou em ceder à exigência de Michael. O tráfego na estrada era intenso demais para forçá-la a mudar de faixa.
Com apenas um pequeno cantar dos pneus, Pandora parou o carro no acostamento. Michael girou a chave e a pegou pela gola, puxando-a até a metade do banco dele. Antes que ela pudesse se debater e fugir, Michael grudou sua boca na dela.
Calor, raiva, paixão. Tudo parecia se misturar em uma única sensação. Michael a segurou ali enquanto carros passavam zumbindo, fazendo as janelas balançarem. Pandora o deixou furioso, excitado, machucado. Na opinião de Michael, era muita coisa para um homem aceitar de uma mulher. Tão rápido quanto a agarrou, ele a soltou.
— Pense em algo pragmático a respeito disso — desafiou."
Mas o que fazer quando o tempo acabasse e cada um voltasse para sua vida? O que viveram juntos não dava para ser ignorado nem esquecido. Sendo os dois muito orgulhosos, como dizer ao outro que precisavam estar juntos sem ferir o próprio ego? E como lidar com a ameaça a vida dos dois? Qual seria o próximo passo dessa pessoa misteriosa que tentava agora matá-los, e como fazê-la parar? 

“Aconteceu tão rápido!, ela pensou. Ou durou horas? Tudo o que ela sabia é que jamais vivera algo semelhante. Jamais se permitira algo assim, corrigiu-se. Coisas estranhas podem acontecer a uma mulher que se abre para a paixão. E outras mais poderiam acontecer antes que ela se fechasse novamente. Coisas como afeto, compreensão. E até amor.

Pandora percebeu que estava fazendo cafuné em Michael e deixou sua mão cair no carpete. Ela não podia permitir ser invadida pelo amor, nem por um breve momento. O amor tirava na mesma proporção que dava. Isso Pandora sempre soube. E o amor nem sempre dava e tirava em medidas iguais. Michael não era um homem que uma mulher podia amar de um jeito pragmático, e muito menos com sabedoria. Isso ela entendia. Michael não seguiria as regras.”


Isa diz


Preciso dizer que esse livro me surpreendeu. Conheci ele da forma mais diferente possível: em um supermercado. Vi o nome da autora e já me interessei. Nora Roberts é uma escritora exemplar, com uma técnica única que sabe cativar o leitor de gosto mais diverso. Fiquei surpresa pois esperava um romance, mas a narrativa surpreendeu por me envolver pelo lado do suspense. Quando comecei a leitura já previ alguns possíveis acontecimentos ou finais para a obra, mas nada, absolutamente nada do que eu esperava aconteceu. 

Imaginei que Pandora, nossa protagonista, seria mais uma das heroínas que se convertem em mocinhas românticas. Com um perfil de mulher forte e independente, que sabe se virar e não aceita ser tratada como inferior, ela parece inabalável. Quando se apaixona, imaginei que perderia essas características, como é comum em muitas histórias , mas em momento algum ela deixou de ser assim. Da mesma forma Michael não abandonou sua essência devido ao amor.

Isso nos revela uma importante necessidade: não esquecer quem você é e de onde veio. Muitas vezes, quando amamos, o medo nos impulsiona a ser diferente para se "adequar" ao sentimento ou a pessoa amada. A ser algo que não somos para não sermos abandonados ou rejeitados. É fácil perceber como muitos se perdem em um relacionamento. Claro que, só por amar, isso já muda sua atmosfera, sua estrutura. Mas isso não significa que tem que mudar sua essência, suas bases. É possível continuar sendo você mesmo, porém em uma versão melhor. Abandonar características que te fazem único por medo do amor, ou por medo de amar, só garante a derrota. Foi interessante ver como cada um dos protagonistas lidaram com isso. 

A parte do suspense, o mistério que envolve a narrativa, é muito cativante e nos deixa interessados não só na parte romântica, mas na história em si. É maravilhoso quando toda a estrutura da obra te fascina, não apenas algumas partes. Não vou contar muito sobre esse "mistério" que cerca a casa, nem sobre a tentativa de assassinato aos protagonistas porque se não perde a graça. Editora está de parabéns, não encontrei nenhum erro de revisão., porém a capa eu gostei mais da de outra editora. Espero que gostem muito!!

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