Resenhas

sábado, 3 de dezembro de 2016

[RESENHA] "O LIVRO DE MEMÓRIAS", DE LARA AVERY

Nome: O Livro de Memórias
Autora: Lara Avery
Editora: Seguinte
Onde comprar: Buscapé

Livro enviado como cortesia pela editora
Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano.

É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de seu melhor amigo de infância, Cooper, de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.


Samantha McCoy é uma jovem extremamente inteligente e que já tinha todo o seu futuro traçado na cabeça. Ela iria ganhar o debate nacional, se formar no ensino médio, estudar na Universidade de Nova York e tornar-se uma advogada especializada em direitos humanos. No entanto, a vida prega peças e nem sempre as coisas saem como o planejado.

Sammie viu o seu futuro brilhante ser ameaçado ao ser diagnosticada com Niemann-Pick tipo C, uma doença rara que causa uma série de obstruções no cérebro. São vários os sintomas, porém o que deixa a protagonista mais abalada é a perda da memória.

Decidida a não deixar a doença atrapalhar seus planos, Sammie dá início ao seu livro de memórias, onde escreve sobre a sua vida e cotidiano, com a esperança de que isso ajudará a ‘Sam do futuro’ a se lembrar das coisas e seguir em frente em busca do futuro que ela sempre sonhou.
“Você sou eu, Samantha Agatha McCoy, em um futuro não muito distante. Estou escrevendo para você. Dizem que minha memória nunca mais será a mesma, que vou começar a esquecer as coisas. Só um pouco no início, depois muito. Então estou escrevendo para lembrar.”
Contando com o apoio e ajuda dos pais e amigos, Sammie encara seus problemas de frente e decide arriscar-se mais nos acontecimentos do dia-a-dia. Aos poucos ela aceita que não é sempre que o futuro pode ser controlado e que isso não é assim tão ruim.

Sammie é uma garota extremamente determinada e disposta a lutar contra a doença até o fim. É claro que ela não é perfeita e seu egoísmo me irritou em vários momentos, porém é impossível não admirar sua postura diante de uma doença que a deixa cada vez mais debilitada.
“Se sou a única da família a acreditar que posso me recuperar, então tenho que me afastar da negatividade dos outros [...] Eles estão se preparando para o pior [...] Não estou me iludindo: sei que estou doente. Mas não vou me preparar para o fracasso.”
Stuart Shah é um jovem escritor que voltou a cidade de South Strafford, despertando a antiga paixão que Sammie tinha por ele. Inteligente e fofo, ele acaba ficando muito próximo de Sam, para a imensa felicidade da garota.

Cooper Lind é o vizinho e amigo e infância da protagonista, que por algum motivo acabou se afastando com a chegada da adolescência. Maconheiro metido a espertinho, ele se reaproxima de Sam em um relacionamento que parece ter tendência a acabar em algo mais que amizade.
“Cooper Lind já foi praticamente um irmão, mas agora estava mais para irmão distante. Não, mais para um vizinho qualquer.”
Embora tenha começado de forma maçante, o que fez com que a minha leitura se arrastasse por uma boa quantidade de páginas, “O Livro de Memórias” pega um gás perto da metade e a partir daí foi uma questão de horas para eu acabar de ler a história.

O que eu mais gostei foi a participação da família da Sammie. Eles realmente aparecem do começo ao fim e isso não é algo que vemos muito em outras histórias. O drama vivido por eles tornou tudo muito real, com todos fazendo o possível para permanecerem fortes em meio aos problemas acusados pela doença da Sammie.
“Independentemente dos planos que eu faça, do quanto eu ajude meus pais, sinto que meu corpo está me decepcionando e não sei como impedir.”
Os personagens são carismáticos e intensos, com características bem diversificadas. Alguns são mais sérios e sentimentais, enquanto outros possuem personalidade mais leve e brincalhona. Cada um, a sua própria maneira, me conquistou e tornou a história mais especial.

Sobre o livro físico, a editora mais uma vez fez um bom trabalho. A capa é bonita e delicada. O texto está impecável, sem erros de revisão. A diagramação está excelente, assim como a fonte e tamanho das letras, perfeito para uma leitura confortável aos olhos.

Escrito em primeira pessoa, “O Livro de Memórias” é como um diário pessoal de Sammie. A força e luta da personagem é comovente e emociona o leitor; os personagens mais divertidos tornam a história mais leve. A leitura que começou difícil transformou-se em algo fluido e no final de tudo agradeço a Seguinte por me permitir conhecer a vida de Samantha McCoy.
“Essa é a parte engraçada de nos importarmos tanto com as coisas [...] Temos que nos acostumar com a ideia de que ninguém se importa tanto quanto nós porque… adivinha? Ninguém se importa. Sucesso, fracasso, tanto faz! Ninguém vai te dar um tapinha nas costas por passar todas as horas do dia estudando ou pesquisando ou desistindo de tudo para escrever. Então o ideal seria fazer todas essas coisas por nós mesmos, não pelos outros.”

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