Resenhas

quinta-feira, 27 de julho de 2017

[RESENHA] "A QUÍMICA QUE HÁ ENTRE NÓS", DE KRYSTAL SUTHERLAND

Nome: A Química Que Há Entre Nós
Autora: Krystal Sutherland
Editora: Globo Alt
Onde comprar: Buscapé
Henry Page nunca esteve apaixonado. Ele se vê como um romântico incorrigível, mas a sensação de câmera lenta, o coração palpitante, o tipo de amor não-consigo-comer-não-consigo-dormir que ele está esperando apenas não aconteceu para ele - pelo menos não ainda. Em vez disso, ele tem sido feliz se concentrando em suas notas, em entrar em uma faculdade decente e, finalmente, tornar-se editor do jornal de sua escola. Então Grace Town caminha para o primeiro período da terceira aula de terça-feira, do último ano no colegial, e ele sabe que está tudo prestes a mudar.

Grace não é quem Henry retratou como sua garota dos sonhos, ela caminha com uma bengala, usa roupas largas de meninos e parece tomar banho raramente. Mas quando Grace e Henry são escolhidos para editar o jornal da escola, ele rapidamente se apaixona por ela. É óbvio que há algo quebrado sobre Grace, mas isso parece fazê-la ainda mais bonita para Henry e ele não quer nada mais do que ajudá-la a juntar todos os pedaços.

E, no entanto, esta não é a sua história habitual de um menino que encontra a menina. A estréia brilhante de Krystal Sutherland possui partes iguais de humor e desgosto, um lembrete poderoso do êxtase agridoce que é o primeiro amor.

Aqui conhecemos Henry Page, um garoto inteligente e focado que, diferente dos caras de sua idade, nunca teve interesse em perder tempo correndo atrás de garotas. Durante dois anos Henry se dedicou a impressionar seus superiores para conseguir a vaga de editor do jornal da escola e agora esse momento finalmente chegou. Ele só não esperava ter que trabalhar com Grace Town, a estranha garota nova.


Grace é uma menina bonita, mas toda a sua beleza desaparece sob a aparência desgrenhada. Ela usa roupas masculinas grandes demais, seu cabelo desalinhado parece sempre sujo e ela usa uma bengala para apoiar a perna manca. Como se isso não fosse estranho o suficiente, ela se isola de todos os outros e evita fazer amigos.
 “- Grace Town é uma charada embrulhada em um mistério dentro de um enigma”
Apesar disso Henry consegue ultrapassar as barreiras erguidas por Grace e acaba se apaixonando por ela. Ele sabe que a garota guarda muitos segredos e está desesperado para ajudar, mas conforme todos os problemas dela começam a ser revelados, Henry percebe que eles estão muito além de seu alcance. Seu próprio coração pode acabar machucado pelos fantasmas de Grace, mas ele simplesmente não consegue evitar se envolver mais e mais.
“Nós tínhamos um amor pesado, Grace e eu, o tipo de amor que iria afogar você se entrasse muito fundo. Era um amor que amarrava pequenos pesos ao seu coração, um por vez, até que o órgão ficasse tão pesado que rasgava para fora do seu peito.”
“A Química Entre Nós” foi uma leitura arrebatadora e uma explosão de sentimentos. Desde o início eu me viciei nas páginas e apenas não conseguia largar a história, querendo descobrir os segredos de Grace e torcendo por um final feliz para o Henry, que é um bom garoto. A narrativa é fluída e diverte com todo o humor ácido, um alívio no meio de toda a tensão.

Os personagens são bastante intensos e a escrita é tão profunda que tem o poder de despertar um misto emoções no leitor. Grace é sarcástica e por vezes até cruel, ela tem sérios problemas que provocam empatia, mas a odiei pela forma como ela tratou Henry dando falsas esperanças quando seus sentimentos não eram recíprocos e seus motivos eram egoístas. Eu entendi que ele era como uma luz na escuridão, mas ainda assim não concordo com o que ela fez, a sensação que eu tive é que ele era uma marionete nas mãos dela. Henry é muito inteligente e amável, o tipo de garoto que muitas gostariam de ter como namorado, mas ele também pode ganhar o troféu de trouxa do ano. Não importa quantas vezes Grace o tenha magoado, ele sempre voltava para ela como um cachorrinho e acompanhar isso de novo e de novo foi extremamente irritante.
“Não parecia justo. Que ela pudesse escolher me ter a hora que quisesse.”
[...]
“Você já não me destroçou o suficiente?”
Os protagonistas me tiraram do sério muitas vezes, então o jeito descontraído dos demais personagens foi um bom equilíbrio na história. Eu gostei muito do ambiente escolar que Krystal Sutherland criou. Aqui não há distinção entre atletas bonitões, garotas populares e nerds, todos se dão muito bem e a camaradagem entre os alunos, sobretudo entre o grupo de amigos de Henry, fez com que eu desejasse muitas vezes entrar nas páginas e viver entre essas pessoas. Todos os personagens foram bem desenvolvidos e bem aproveitados, de forma que conseguimos captar a essência de cada sem perder o foco do assunto principal.

Henry estava se afundando com Grace, mas para a sorte dele havia muitas pessoas lá para ajudar a resgatá-lo. Não só sua família atenciosa, mas também seus incríveis dois melhores amigos que a todo momento estavam lá para dar aconselhos e apoiá-lo, todos preparados para ajudá-lo a juntar suas partes quebradas.
“Então ela estava de luto e ferida e isso iria quase definitivamente acabar com um de nós ou os dois sendo destruídos.”
O livro nos ensina que não há vida perfeita, à menos que você viva dentro de uma bolha a margem dos problemas. Não importa o quanto queiramos, tragédias acontecem e não há nada que você possa fazer por uma pessoa se ela não quiser a sua ajuda.

Esse livro foi surpreendente, porque eu já comecei imaginando todo um caminho até o desfecho e nada do que pensei se concretizou. Foi uma leitura emocionalmente intensa e me envolvi tanto com a história a ponto de me sentir cansada com os problemas que rondavam Grace e Henry. Não achei ruim porque eu amo histórias dramáticas e esse não é um dos motivos que nos levam a ler livros? Viver outras vidas, acompanhar uma história que consegue capturar o leitor e fazê-lo esquecer do mundo lá fora por estar preso nas páginas. “A Química Entre Nós” é esse tipo de livro, simplesmente encantador e devastador não de um jeito “Mentirosos”, mas do tipo que vai deixar o seu coração apertado no final.
“Pensei em como eu gostava de coisas quebradas, coisas que tinham defeitos, fissuras ou rachaduras, e por que esse era o motivo pelo qual me apaixonei por Grace, para começo de conversa. Ela era algo quebrado em forma humana e agora, por causa dela, eu também era.”

Um comentário:

  1. Olá!
    Nossa, quero muito ler esse livro. Li várias resenhas e as impressões sobre eles são muito parecidas.
    Acredito que vá ser uma leitura envolvente e bem surpreendente. Gosto de leituras assim.
    Concordo com você, lemos para viver outras vidas ♥
    Beijos!

    Books & Impressions

    ResponderExcluir